Saiba por que não devemos jogar sal no sapo

Mundo Animal

Brincadeira muito comum presente na infância de todos nós, jogar sal em sapos e lesmas era considerada também uma forma de afugentar ou matar esses pequenos animais que muitos consideram sujos e nojentos.

Estimulados por crianças mais velhas ou até mesmo pelos adultos, muitos de nós crescemos achando que esse era o jeito certo de “tratar” um desses bichinhos quando apareciam nos quintais e jardins das nossas casas.

Pois saiba que jogar sal em um sapo é algo extremamente cruel e que nunca deve ser feito.

O que são os sapos?

Sapos são animais vertebrados, da família dos anfíbios, que não são parentes dos répteis. É muito comum confundirem sapos com répteis, porém os répteis possuem escamas e os anfíbios possuem pele lisa e úmida.

Animal vertebrado

Foto: © Depositphotos

E tem mais, dentro do grupo dos anfíbios, a principal característica que diferencia os sapos é a ausência de cauda, pois todos desse grupo possuem quatro patas e pele lisa e úmida. Outra característica interessante é que os anfíbios mudam a sua temperatura corporal de acordo com a alteração do clima.

Com certeza você já deve ter ouvido falar sobre a famosa experiência de colocar um sapo em água fria e ir esquentando-a aos poucos até que o animal acaba sendo morto e cozido. Isso acontece porque o corpo do sapo vai se adaptando às mudanças de temperatura gradualmente e não percebe que está, na verdade, a caminho da morte.

Esses animais possuem mais uma característica interessante e que tem tudo a ver com esse post: eles não respiram apenas pelos pulmões, mas também com a pele, a chamada respiração cutânea. Portanto, viver em um ambiente úmido é muito importante para permitir a respiração cutânea e a superfície do corpo do animal deve estar sempre molhada para permitir a troca de gases de oxigênio e gás carbônico.

Então os sapos possuem aquela pele bem fina e pegajosa justamente para que o oxigênio possa passar pela pele, penetrar nos vasos e chegar à corrente sanguínea sem dificuldade. Para estar constantemente úmida, a pele do sapo possui milhares de glândulas produtoras de umidade, sendo uma parte bem sensível do seu corpo.

Sapo na mão

Foto: © Depositphotos

Existem pessoas que acreditam que os sapos jogam veneno em quem se aproxima e por isso estimulam o extermínio desse pequeno animal. É importante ressaltar que pouquíssimas espécies têm a capacidade de fazer isso.

De maneira geral, os sapos possuem uma glândula localizada na parte posterior dos olhos, sobre o dorso, que produzem toxinas com o objetivo de protegê-lo de ataques. Porém essas glândulas não espirram veneno por conta da aproximação de uma ameça. A tal toxina que ele produz só é liberada quando essa glândula é pressionada.

Quando o sapo é agredido as glândulas liberam o veneno no agressor. Dependendo da espécie, essas toxinas podem causar incômodos leves como náusea, vômitos e dores abdominais até consequências maiores como convulsões e morte.

Existem sapos que esguicham veneno?

Sim, existem algumas poucas espécies que realmente lançam toxinas, mas não se trata do sapo considerado doméstico e que pode ser encontrado nos nossos jardins. De qualquer maneira, não é recomendado que você provoque o animal ou toque na sua pele inadvertidamente. Se for necessário remover o animal, utilize luvas de borracha ou ferramentas que o impeçam de tocar diretamente na pele dele.

A diferença entre sapos e rãs

Os sapos apresentam pele áspera e rugosa e dão saltos pequenos. Frequentemente os animais adultos são encontrados em ambientes com pouca água, mas eles costumam voltar para lagos e lagoas na época da reprodução. Eles possuem tamanho médio e não são usados na alimentação humana.

Já as rãs possuem tamanho que varia de médio a grande e são capazes de dar saltos longos que podem atingir até 1 metro de distância. Diferente do sapos, as rãs gostam de viver em lagos e lagoas. A pele delas é mais fina e úmida e suas patas traseiras são mais longas. As rãs costumam ser usadas na culinária como uma iguaria.

O que acontece ao jogar sal no dorso de um sapo?

O sal é um composto químico que retira a umidade do ambiente e de algumas superfícies, ou melhor, ele absorve a umidade. Por isso, se jogarmos sal no sapo, esse mineral vai sugar a umidade natural da pele do animal.

Jogar sal

Foto: © Depositphotos

As consequências disso é muita dor e sofrimento ao animal. Trata-se de uma sensação muito similar com a de jogar sal sobre uma ferida, ou seja, uma dor lancinante. O sal vai desidratando a pele do animal aos poucos e o mata por sufocamento, já que o impede de realizar a respiração cutânea.

A importância dos sapos para o ecossistema

Os anfíbios são animais de grande importância para manter o equilíbrio ambiental e o Brasil é o país que possui a maior riqueza de espécies de anfíbios do mundo. Esse fato aumenta e muito a nossa responsabilidade em relação à preservação dessa espécie, principalmente quando se verifica uma redução na população de sapos e rãs em várias partes do planeta.

A principal ameaça aos anfíbios é o desmatamento que reduz o seu habitat natural e as fontes de água, componente imprescindível para que eles vivam e se reproduzam. Eles são animais extremamente vulneráveis a qualquer mudança no ambiente e por serem muito sensíveis a sustâncias tóxicas, tanto na água quanto no ar, são considerados indicadores de qualidade ambiental.

Anfíbios

Foto: © Depositphotos

Isso significa que se um lugar começa a apresentar redução na população de sapos, pode ser que tenha ocorrido um aumento de toxinas na água ou no ar e que, futuramente, podem ser nocivas aos seres humanos.

Além disso, os anfíbios se alimentam de uma grande quantidade de insetos e artrópodes (moscas, baratas, aracnídeos, etc) e também servem de alimento para outros animais, garantindo a manutenção correta da cadeia alimentar de determinada região.

Ficou mais fácil de compreender por que é importante manter sapos vivos no meio ambiente? Apesar de ser um animal que não possui uma boa aparência, eles são essenciais para o ecossistema e não causam danos para ninguém.

Por Vivian Fiorio / Edição: Dona Giraffa

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