De onde vem a antipatia?

Comportamento

Quando alguém demonstra antipatia, você se pergunta: o que foi que eu fiz para merecer isso? Se você não fez nada, a resposta provavelmente é uma falha na personalidade dessa pessoa. Vejamos os motivos mais comuns para que alguém não goste de você:

– Inveja: “eu me sinto incapaz de ser igual ou de possuir as mesmas qualidades, ou os mesmos recursos materiais, e por isso quero destruir aquilo que me faz sentir inferior”. Esse sentimento pode explicar a maioria das manifestações gratuitas de inimizade. Mas atenção: a inveja não explica tudo. Se você insiste em atribuir a inimizade à inveja, você pode estar deixando de perceber alguma outra coisa.

– Possessividade: “o meu inimigo é aquele que ameaça o que antes era meu”. Quando alguém chega em um ambiente novo, por exemplo, um novo emprego ou uma nova escola, pode acontecer que certas pessoas automaticamente declarem antipatia. De acordo com elas, este novo elemento pode se tornar um competidor que vai de alguma forma lhe roubar um pedaço do espaço, da atenção, uma fatia da admiração ou parte de seus privilégios.

– Desconforto: “o inimigo é aquele que ‘atrapalha’ a minha vida”. Quando alguém se comporta de maneira diferente, essa pessoa pode acabar modificando o andamento usual de uma rotina, a divisão habitual de espaço e de tempo disponíveis. Seja porque tem mais competência, porque tem mais dificuldade, porque é mais bonito ou mais feio ou mesmo pelas preferências pessoais. O outro, que se sente confortável com a estagnação, pode temer a mudança, colocando a culpa dela no agente estranho que rouba a cena.

– Espelho: Em todos os ambientes, pode acontecer que pessoas com personalidade e atitudes bastante parecidas, que, teoricamente têm muitos motivos para desenvolver uma afinidade, acabam por se tornarem mutuamente antipáticas uma à outra. Por que, então, em vez de desenvolver uma amizade, elas vão parar no campo da inimizade? Simplesmente porque o que as incomoda é justamente o que é igual: é o princípio do espelho, que pode ser observado de duas formas:

– Espelho dos defeitos: “O que eu menos suporto em mim mesmo é o que eu não posso aceitar no outro”, sendo uma manifestação de não-aceitação da própria personalidade ou de predisposições pessoais ocultas.

– Espelho das virtudes: “o que eu mais admiro em mim mesmo, essa pessoa tem!”, o que representa uma ameaça de competitividade.

Logicamente, essa constatação do espelho pode não existir de maneira consciente por parte de quem está envolvido na situação, mas atua no seu subconsciente a repelir a comparação entre o próprio eu e a pessoa a quem dirige o desafeto.

E o que acontece quando a pessoa se torna minha inimiga?

Cuidado! Muitas vezes, para justificar esse tipo de sentimento inferior que sustenta a sua inimizade, o indivíduo desenvolve um comportamento de autoproteção ao tentar atribuir o seu desafeto a uma atitude qualquer de sua vítima. Procura ele, então, ansiosamente, algum deslize, algum traço de personalidade, alguma escolha, algum acontecimento qualquer que desmereça o objeto de sua inimizade, corroborando-a. Geralmente, se descamba para a calúnia ou a maledicência.

E o que a vítima deve fazer diante disso? Em primeiro lugar, ela deve tomar consciência de que não adianta justificar seus erros, pedir desculpa, tentar mudar, pois a origem da antipatia não está nela. Em segundo lugar, ela deve tentar exercer sua humildade, aceitando as indignidades que são lançadas a ela, firme em suas atitudes e escolhas, e deixando que o tempo mostre o seu verdadeiro valor.

Não ajuda nada tentar forçar a amizade, pois isso pode simplesmente reforçar a inimizade. Também não é aconselhável forçar seu jeito de ser para se sentir aceito: pois estará aumentando as possibilidades de ser vitimizada por suas próprias atitudes. Por fim, é preciso trabalhar seu próprio orgulho, pois é dele que parte a necessidade que temos de nos ver totalmente aceitos.

Por Érica Marina
Redação Dona Giraffa

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5 comentários

  • Elaine disse:

    A situação mais interessante que acontece com frequencia e você não falou é a antipatia que a pessoa sente por quem ela ama e sente que não é correspondida. É uma coisa estranha de entender poque a pessoa gosta da outra e ao mesmo tempo a trata mal por achar que não é amada por ela.

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  • Vagner de Castro disse:

    Gratidão Érica por seu texto , Fiquei confortado ao ler e entender alguns motivos pelo quais criam-se inimizades, concordo com seu ponto de vista, e gostaria de reconhecer sua coragem de expressar estas verdades, pena que poucas pessoas injustiçadas e até rejeitadas não tenham essa bela explicação para findar com suas culpas.

    Parabéns e que Deus Te Ilumine sempre com muita sabedoria.

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  • elisabete disse:

    Nossa, gostei muito do seu texto estava procurando por algo assim e visitei vários sites, inclusive religiosos e não encontrei nada tão ‘realista’ quanto a sua publicação. Obrigado.

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  • NAIA disse:

    vc e psicologa? claro que faltou alguns fatores mas meus parabens seu texto chegou proximo da perfeicao e quase tudo isso que vc escreveu.

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    • Érica Marina disse:

      Não sou psicóloga, não: sou mestre em Economia. Mas tenho por hobby tentar entender o comportamento e a psicologia humana. Obrigada.

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