A pílula do dia seguinte é abortiva ou não?

Conhecida por ser um medicamento emergencial, a pílula do dia seguinte possui uma alta concentração de hormônios e é utilizada para impedir uma gravidez quando não houve um método contraceptivo eficiente utilizado durante a relação sexual. Desde 2005, a pílula passou também a ser oferecida gratuitamente em postos de saúde, como uma facilidade à mais para prevenir a gravidez indesejada.

Pílula do dia seguinte

Foto: © Depositphotos

Até pouco tempo atrás, o medicamento era considerado totalmente não abortivo, partindo do princípio de que a gestação só inicia após a implantação do óvulo no útero. Quando este processo ocorre, a pílula já não teria efeito nenhum no organismo, sendo incapaz de atrapalhar uma gestação já iniciada.

No entanto, há controvérsias em estudos feitos por especialistas em 2013, que passaram a difundir a ideia de que a pílula também pode agir de forma abortiva. No entanto, esta teoria ainda gera polêmica e não foi forte suficiente para que a medicação saísse das prateleiras de farmácia ou de locais públicos de atendimento de saúde.

Onde começa a vida?

Diferente do conceito inicial de gravidez, que prega que a gestação só inicia com a implantação do óvulo no útero, o estudo sobre o assunto afirma que a gravidez inicia assim que ocorre a fecundação do óvulo. Mesmo que o óvulo ainda não esteja na parede do útero, já há uma vida em formação após a fecundação, segundo alguns especialistas.

Sintomas de gravidez

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A pílula do dia seguinte pode funcionar de duas formas: impedindo a fecundação ou atrapalhando a fixação do óvulo na parede intrauterina. No primeiro caso, o espermatozoide não conseguiria encontrar o óvulo, o que seria um impedimento não-abortivo à gravidez. No entanto, no segundo caso, a carga hormonal da pílula não deixa que o óvulo já fecundado cole na parede do útero.

É esta função da pílula que se tornou alvo recente de polêmicas. Se o óvulo já fecundado for considerado gravidez, impedir a fixação no útero poderia ser uma forma de aborto. No entanto, o que ainda é aceito é a primeira teoria, o que permite que a medicação seja comercializada no país.

Riscos da medicação

Para muitas mulheres, a existência da pílula pode soar como uma forma de alívio, já que o medicamento é capaz de prevenir uma gravidez de forma emergencial. Sendo utilizada em até 72 horas após a relação sexual, a pílula possui mais chances de evitar a gravidez quando for ingerida rapidamente, perdendo totalmente o efeito após este período.

No entanto, há muitos fatores que impedem que este medicamento seja utilizado com frequência e como um método anticoncepcional ou contraceptivo usual. A pílula possui uma carga hormonal tão alta que pode equivaler a meia cartela de um anticoncepcional comum.

Por isso, há a possibilidade de que o organismo sofra com diversos efeitos colaterais, principalmente em pessoas mais sensíveis. Ao ser consumido com frequência, é possível ainda que a pílula traga prejuízos irreversíveis a usuária, como a infertilidade.

Principais desvantagens da pílula

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Conheça as principais desvantagens da pílula:

Ciclo menstrual: após a ingestão da pílula, não será possível calcular o período fértil ou ter alguma noção de quando virá a próxima menstruação.

Efeitos colaterais: os efeitos mais comuns são náuseas, vômitos e dores de cabeça. Se houver vômito ou diarreia após duas horas de ingestão, é preciso tomar outro comprimido.

Riscos sérios: se for usada com frequência, há o risco da mulher perder uma trompa e não conseguir engravidar futuramente.

Eficiência reduzida: após 24h da relação sexual, a eficiência da pílula cai para 15%, sendo impossível impedir uma gravidez se já estiver passado 72h. Se você não tomou o remédio rapidamente, pense bem se vale a pena submeter o organismo mesmo com poucas chances da pílula funcionar.

Quando utilizar?

A pílula do dia seguinte é distribuída apenas como uma forma emergencial de socorrer as mulheres que desconfiam que possam ter engravidado na última relação sexual. No geral, o medicamento é procurado principalmente quando ocorre o estouro da camisinha, o que provoca a entrada do sêmen no canal vaginal.

Por isso, é preciso optar pela pílula com muita responsabilidade, lembrando que os efeitos negativos no organismo fazem com que o consumo não seja recomendado. Nunca utilize a pílula como um substituto da camisinha ou no lugar de tomar um anticoncepcional comum de uso diário.

O fato do remédio poder ser adquirido sem receita médica faz com que muitas pessoas cometam o erro de abusar do uso da pílula, provocando várias consequências negativas ao organismo em curto e longo prazo.

Atenção e cuidados:

• Quando for ao ginecologista, não deixe de pedir uma orientação sobre o uso da pílula do dia seguinte e veja qual o melhor medicamento para você.

Médico orientação pílula do dia seguinte

Foto: © Depositphotos

• Se decidir tomar a pílula, procure fazer isto nas primeiras horas após a relação. Lembre-se que se passar muito tempo você poderá prejudicar a sua saúde e não conseguirá evitar a gravidez.

• Use sempre camisinha, pílula anticoncepcional ou algum outro método para evitar a gravidez de forma mais saudável.

• Após o uso da pílula, não tente calcular o seu período fértil e espere que a menstruação desça para que o organismo volte a se estabilizar.

• Não use métodos como coito interrompido durante a relação sexual. Lembre-se de que há riscos da fecundação ocorrer desde que haja penetração sem proteção.

• Principalmente para quem tem mais de um parceiro frequente e uma vida sexual ativa, o uso da camisinha se torna indispensável para a proteção da saúde, já que nenhum medicamento impede a contração de doenças sexualmente transmissíveis (DST).

Por Ana Paula Bretschneider / Redação: Dona Giraffa

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1 Comentário em A pílula do dia seguinte é abortiva ou não?
  • Marluce disse:

    Após o término da cartela anticoncepcional, o intervalo para iniciar a outra cartela, pode ter relação sexual normalmente sem risco?

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